A História da Lopes
Em 18 de agosto de 1959 dois irmãos (José Martins Lopes e Antônio Martins Lopes) e um primo (Aristides Lopes) se uniram em sociedade adquirindo a concessão da linha de transporte inter-municipal de passageiros ligando Nova Era a João Monlevade.
Instalados na cidade de Nova Era, logo os 3 sócios adquiriram, por compra, sua segunda linha: Nova Era – Desembargador Drumond (linha municipal).
Cerca de 3 anos após fundada a organização Aristides vendeu sua parte, ficando a empresa em propriedade dos irmãos José Martins Lopes e Antônio Martins Lopes.
A empresa foi se fortalecendo em modelo de gestão bastante familiar. Novas linhas foram adquiridas, às vezes como resultado de processo licitatório do Estado e outras como aquisição de antigos proprietários.
O ano de 1976 marcou grandes mudanças na organização. Neste ano os 2 sócios resolveram dividir a empresa, ficando cada um com a própria organização. José Martins Lopes continuou com a razão social original (Lopes e Cia Ltda) e Antônio Martins Lopes e seus filhos criaram a Lopes e Filhos Ltda.
As duas empresas continuaram independentemente e até hoje continuam sólidas e operando.
Instalados na cidade de Nova Era, logo os 3 sócios adquiriram, por compra, sua segunda linha: Nova Era – Desembargador Drumond (linha municipal).
Cerca de 3 anos após fundada a organização Aristides vendeu sua parte, ficando a empresa em propriedade dos irmãos José Martins Lopes e Antônio Martins Lopes.
| Linha Bela Vista a João Monlevade (ônibus lotação) |
A empresa foi se fortalecendo em modelo de gestão bastante familiar. Novas linhas foram adquiridas, às vezes como resultado de processo licitatório do Estado e outras como aquisição de antigos proprietários.
O ano de 1976 marcou grandes mudanças na organização. Neste ano os 2 sócios resolveram dividir a empresa, ficando cada um com a própria organização. José Martins Lopes continuou com a razão social original (Lopes e Cia Ltda) e Antônio Martins Lopes e seus filhos criaram a Lopes e Filhos Ltda.
As duas empresas continuaram independentemente e até hoje continuam sólidas e operando.
Antônio Delmiro - o "Pato Preto"
A história de Antônio Delmiro na Empresa Lopes teve início no mês de abril de 1961. O Sr. José Delmiro, pai do Antônio, trabalhava como carpinteiro na construção da antiga garagem da Lopes. Naquela época, esporadicamente a Prefeitura contratava jovens para fazer capina nos calçamentos. Certo dia, por sorte ou por destino, o menino de 16 anos estava fazendo esse trabalho de capina bem em frente à garagem. O pai, vendo-o na lida, aproximou-se do José Lopes, mostrou o filho e pediu um trabalho para ele. Naquele momento mágico, a sinergia ou a vontade Divina se cumpriu. Deu-se início a um vínculo de ultrapassa os tempos e as questões profissionais, pois se tornaram afetivas, respeitosas e de admiração mútua.
O garoto foi imediatamente admitido como Auxiliar e na Empresa Lopes fez carreira. Aposentou-se após 33 anos de trabalho na posição de Mecânico altamente qualificado - através de cursos por várias cidades brasileiras onde havia montadoras de ônibus. Ele acompanhou toda a evolução dos motores e até hoje é Mestre na Empresa Lopes, ensinando aos novatos e desvendando modernidades que são incorporadas aos motores. O garoto de 16 anos atuou desde a mais simples até a mais complexa função na garagem da Lopes, tendo domínio completo de toda a estrutura e funcionamento do setor.
Logo ganhou o apelido de Pato Preto. Com sua inconfundível gargalhada aceitou a brincadeira e adotou-a como uma segunda identidade. Sempre alegre, amigo de todos, se fez pai, tio, irmão de mecânicos e novos funcionários que chegavam à Empresa timidamente. Sempre foi admirado por toda a família Lopes e por todos os funcionários (sejam eles de escritório, motoristas, trocadores, mecânicos ou auxiliares). Sua simpatia contagiava vizinhos e até os fornecedores da Empresa que periodicamente faziam visitas para repor estoques. Chegava bem cedo ao trabalho e, ainda pela manhã, o cheiro de pão quentinho da Panificadora Trigo Arte o levava a uma pausa no trabalho. Passando pelos escritórios, brincava com as funcionárias, contava alguns casos e entrava pelos fundos na casa do Vertinho para tomar um café enquanto saboreava o pão quentinho.
Ainda moço, Pato conquistou uma das moças mais prendadas e cobiçadas da época. Casou-se com Lica, moça bonita, educada, excelente cozinheira e dona de casa. Tiveram 3 filhos: Dadá, Marquinhos e Dudu. Como filho, irmão, esposo, pai e agora avô, sempre junto com a Lica, construíram uma vida serena, pautada no amor e na união e no desprendimento quando se tratava de ajudar os outros. Deus os recompensou! As filhas estão bem casadas, os netos começaram a chegar e o Marquinhos se transformou no Padre Marcos, carismático, inovador, divertido, alegre e risonho..... como o jovem Antônio Delmiro.
Confira a caricatura do Pato Preto no blog Nova Era com Humor
O garoto foi imediatamente admitido como Auxiliar e na Empresa Lopes fez carreira. Aposentou-se após 33 anos de trabalho na posição de Mecânico altamente qualificado - através de cursos por várias cidades brasileiras onde havia montadoras de ônibus. Ele acompanhou toda a evolução dos motores e até hoje é Mestre na Empresa Lopes, ensinando aos novatos e desvendando modernidades que são incorporadas aos motores. O garoto de 16 anos atuou desde a mais simples até a mais complexa função na garagem da Lopes, tendo domínio completo de toda a estrutura e funcionamento do setor.
Pato Preto (à direita), Confusão (ao fundo)
Logo ganhou o apelido de Pato Preto. Com sua inconfundível gargalhada aceitou a brincadeira e adotou-a como uma segunda identidade. Sempre alegre, amigo de todos, se fez pai, tio, irmão de mecânicos e novos funcionários que chegavam à Empresa timidamente. Sempre foi admirado por toda a família Lopes e por todos os funcionários (sejam eles de escritório, motoristas, trocadores, mecânicos ou auxiliares). Sua simpatia contagiava vizinhos e até os fornecedores da Empresa que periodicamente faziam visitas para repor estoques. Chegava bem cedo ao trabalho e, ainda pela manhã, o cheiro de pão quentinho da Panificadora Trigo Arte o levava a uma pausa no trabalho. Passando pelos escritórios, brincava com as funcionárias, contava alguns casos e entrava pelos fundos na casa do Vertinho para tomar um café enquanto saboreava o pão quentinho.
Pato nunca faltou ao trabalho e isso é importante porque suas gargalhadas sempre encheram os ares de uma energia positiva, de uma alegria de viver que contagiava aquele ambiente de trabalho, descontraindo todos e tornando o labor mais produtivo e menos tenso.
Atingindo tempo de serviço para se aposentar, Pato Preto desligou-se formalmente da Empresa. Mas ele continua lá, nas lembranças de todos que com ele conviveram. E mais que isso: até hoje presta serviços de consultoria para a Lopes. Conhecedor profundo de tudo que diz respeito a ônibus, continua se mantendo atualizado através de cursos promovidos pela Mercedes Benz. Convidado de honra, vai feliz para Contagem onde é recebido pelo filho também conhecido e amado por todos que com ele convivem - o Padre Marcos.
De volta à terrinha, lá vai Pato Preto para a garagem da Lopes ensinar as novidades aos mecânicos que atualmente trabalham na empresa.
Atingindo tempo de serviço para se aposentar, Pato Preto desligou-se formalmente da Empresa. Mas ele continua lá, nas lembranças de todos que com ele conviveram. E mais que isso: até hoje presta serviços de consultoria para a Lopes. Conhecedor profundo de tudo que diz respeito a ônibus, continua se mantendo atualizado através de cursos promovidos pela Mercedes Benz. Convidado de honra, vai feliz para Contagem onde é recebido pelo filho também conhecido e amado por todos que com ele convivem - o Padre Marcos.
De volta à terrinha, lá vai Pato Preto para a garagem da Lopes ensinar as novidades aos mecânicos que atualmente trabalham na empresa.
Pato Preto (à direita), Confusão (centro)
Ainda moço, Pato conquistou uma das moças mais prendadas e cobiçadas da época. Casou-se com Lica, moça bonita, educada, excelente cozinheira e dona de casa. Tiveram 3 filhos: Dadá, Marquinhos e Dudu. Como filho, irmão, esposo, pai e agora avô, sempre junto com a Lica, construíram uma vida serena, pautada no amor e na união e no desprendimento quando se tratava de ajudar os outros. Deus os recompensou! As filhas estão bem casadas, os netos começaram a chegar e o Marquinhos se transformou no Padre Marcos, carismático, inovador, divertido, alegre e risonho..... como o jovem Antônio Delmiro.
Confira a caricatura do Pato Preto no blog Nova Era com Humor
Kozo Ito - "Japão"
Nesta foto está uma das grandes personalidades que fizeram parte da história da Empresa Lopes - Kozo Ito, apelidado Japão. Funcionário da Empresa desde o ano de 1973 e aposentando-se em 2003, Japão era conhecido por sua guia cautelosa e por seu cuidado com o seu uniforme e com o ônibus que dirigia - o ônibus do japão brilhava tanto quanto o seu sapato.
Japão chegou ao Brasil em 1933, aos 3 anos de idade, vindo de Tokio, capital de Japão. Trazido pelos pais e acompanhado pelos tios, chegaram ao porto de Santos juntos a outros imigrantes japoneses e, após triagem, sua família foi enviada para o Triângulo Mineiro para trabalhar na lavoura de café. Como o café demora, em média, 6 anos para produzir, sua família viveu um tempo de dificuldades. Em consequência disso, abandonaram o cultivo do café e passaram a produzir hortaliças.
Alguns anos depois, procurando melhores oportunidades, mudaram-se para Betim. Japão, o primogênito, já rapaz e sempre junto do pai, era o motorista do caminhão da família que transportava batata e hortaliças na região metropolitana de Belo Horizonte. Na década de 50 os irmãos mais novos começaram a participar do negócio da família e Japão resolveu partir para outra atividade. Em 1956 ele fichou-se motorista de ônibus, viajando pela região entre Belo Horizonte e o Oeste de Minas. Depois de passar por algumas empresas, Japão chegou a Nova Era através da empresa Expresso de Luxo João Monlevade, que na época fazia a linha Belo Horizonte a Nova Era. Por se identificar com a cidade, Kozo Ito pediu emprego na Empresa Lopes e foi imediatamente aceito devido às suas boas referências. A sua temporada na Lopes durou 30 anos e até hoje Japão continua vivendo perto de nós.
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| Japão e Iúri (editor do blog) |
Nesta foto está uma das grandes personalidades que fizeram parte da história da Empresa Lopes - Kozo Ito, apelidado Japão. Funcionário da Empresa desde o ano de 1973 e aposentando-se em 2003, Japão era conhecido por sua guia cautelosa e por seu cuidado com o seu uniforme e com o ônibus que dirigia - o ônibus do japão brilhava tanto quanto o seu sapato.
Japão chegou ao Brasil em 1933, aos 3 anos de idade, vindo de Tokio, capital de Japão. Trazido pelos pais e acompanhado pelos tios, chegaram ao porto de Santos juntos a outros imigrantes japoneses e, após triagem, sua família foi enviada para o Triângulo Mineiro para trabalhar na lavoura de café. Como o café demora, em média, 6 anos para produzir, sua família viveu um tempo de dificuldades. Em consequência disso, abandonaram o cultivo do café e passaram a produzir hortaliças.
Alguns anos depois, procurando melhores oportunidades, mudaram-se para Betim. Japão, o primogênito, já rapaz e sempre junto do pai, era o motorista do caminhão da família que transportava batata e hortaliças na região metropolitana de Belo Horizonte. Na década de 50 os irmãos mais novos começaram a participar do negócio da família e Japão resolveu partir para outra atividade. Em 1956 ele fichou-se motorista de ônibus, viajando pela região entre Belo Horizonte e o Oeste de Minas. Depois de passar por algumas empresas, Japão chegou a Nova Era através da empresa Expresso de Luxo João Monlevade, que na época fazia a linha Belo Horizonte a Nova Era. Por se identificar com a cidade, Kozo Ito pediu emprego na Empresa Lopes e foi imediatamente aceito devido às suas boas referências. A sua temporada na Lopes durou 30 anos e até hoje Japão continua vivendo perto de nós.
A Era Ciferal
Mercedes Benz 1960 - carroceria Ciferal
Fabricado pela Mercedes Bens do Brasil (SP), este foi o primeiro ônibus brasileiro movido a óleo diesel. Tinha 36 lugares e já era bem mais confortável do que os primeiros veículos.
O carro acima foi o primeiro da era Ciferal (RJ) que a Lopes adquiriu. Era o quarto veículo de uma jovem empresa, nesta época com pouco mais de um ano de fundação.
Três Jardineiras
Foi em agosto de 1959 que tudo começou: a Empresa Lopes comprou neste ano o seu primeiro veículo - uma jardineira "Marta Rocha" ano 1956 (o nome do modelo foi dado em referência a ganhadora do prêmio Miss Brasil). Como não havia fábrica no Brasil, o chassi era importado dos Estados Unidos e a carroceria era feita em São Paulo, na importadora da marca.
Com espaço para 27 passageiros e carregando as bagagens sobre o teto (o que era um verdadeiro exercício para o cobrador), o pequeno ônibus fazia o transporte de passageiros entre os municípios de Nova Era e João Monlevade.
Em seguida foi comprada outra 'jardineira, desta vez uma Chevrolet Brasil 1958 de fabricação nacional. A General Motors foi a pioneira na fabricação de chassis e carrocerias.
E finalmente, para completar a era das jardineiras, este carro modelo 1959 foi o primeiro 'zero quilômetro' comprado pela empresa.
Com espaço para 27 passageiros e carregando as bagagens sobre o teto (o que era um verdadeiro exercício para o cobrador), o pequeno ônibus fazia o transporte de passageiros entre os municípios de Nova Era e João Monlevade.
Em seguida foi comprada outra 'jardineira, desta vez uma Chevrolet Brasil 1958 de fabricação nacional. A General Motors foi a pioneira na fabricação de chassis e carrocerias.
E finalmente, para completar a era das jardineiras, este carro modelo 1959 foi o primeiro 'zero quilômetro' comprado pela empresa.
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| Chevrolet 1959 - modelo 'Chevrolet Brasil' |
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| Chevrolet 1956 - "Marta Rocha" |
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| Chevrolet 1958 - modelo 'Chevrolet Brasil' |
Tempos de valentia - Carro 12
O carro 12 (fabricado em 1966) foi utilizado por muitos anos na linha Nova Era a Itabira. A viagem de 38 quilômetros durava em média duas horas e era cheia de dificuldades: pontes estreitas, sete passagens de nível e precipícios. Passar pelo alto da Capoeirana era uma aventura, principalmente nos tempos de chuva.
Abaixo está o "temido" viaduto da localidade de Oliveira Castro, sob a estrada de ferro Vitória Minas. Ao entrar era preciso ter perícia, aproximar o retrovisor do lado esquerdo quase esbarrando à parede para que a traseira do lado direito pudesse passar. Só os motoristas mais experientes e conhecedores da estrada poderiam dirigir por lá.
O motorista Alfredo Matias Horta da Silva trabalhou nessa linha por mais de 10 anos e conhecia cada palmo dessa estrada. Até hoje os antigos moradores da estrada (hoje asfaltada) ainda perguntam sobre ele. Alfredo continua vivo, aposentado e com ótima saúde.
Os ônibus utilizados nessa linha tinham no máximo 9 metros de comprimento e 36 lugares. Esse exercício perdurou até meados da década de 80.






